ARTIGO: a 4ª revolução industrial e o país

Como contribuir para que a 4ª Revolução industrial não interfira no desenvolvimento sustentável do país

Por Liliane Rocha

Vivemos um momento de avanço tecnológico extremamente acelerado, pela perspectiva matemática esses avanços são exponenciais e estão impactando severamente a sociedade como um todo, empresas, governos e indivíduos. Esse fenômeno tem sido denominado por diversos estudiosos como a 4ª Revolução Industrial. Entre os expoentes dessa teoria está Klaus Schwab, economista alemão criador do Fórum Econômico Mundial, que analisa diversas perspectivas desse acontecimento que causa impactos ao desenvolvimento econômico global.  Mas afinal, de que forma essa revolução tem impactado a sociedade e o meio ambiente?

Por definição uma revolução é um momento histórico onde diversas perspectivas de uma sociedade sofrem intensas modificações. No caso da 4ª revolução, marcada por rupturas como a inteligência artificial, a nanotecnologia, a biotecnologia, a impressora 3D, entre outros avanços, notamos que os processos educativos, de construção de conhecimento, as relações sociais, o trabalho (e os negócios) e a relação com o meio ambiente estão mudando radicalmente. Todas as empresas e todos os indivíduos estão sendo impactados de alguma forma por essas transformações, porém, não com a mesma intensidade e com as mesmas consequências.

Algumas empresas e indivíduos terão sua vida transformadas negativamente com um crescimento da desigualdade social, concentração de recursos e extinção dos seus ramos de atividades, essas pessoas, são denominadas por Klaus Schwab como o “lado perdedor” da globalização. Por outro lado, o acesso à informação, a cuidados médicos, a alimentos e a própria capacidade humana, seja física ou mental, poderá e já está sendo expandida com o uso de tecnologias que cada vez mais estarão acessíveis ao cidadão comum. O que temos hoje é que independente do segmento de atuação de uma empresa, ou da área que uma pessoa trabalhe, ela será impactada pelo desenvolvimento das tecnologias exponenciais, ou seja, pelo processo de revolução. Consequentemente todo o macro ambiente será impactado também. Não há rota de fuga, esse processo está instaurado e será contínuo até que um novo “big bang” inicie outro processo de revolução.

Ainda não sabemos qual lado da balança pesará mais, mas, o que sabemos é que se não pensarmos nos diversos impactos dessas transformações, trazendo-as para uma discussão coletiva e consciente, correremos o risco de perder o prazo para a correção das rotas, tanto do ponto de vista social, quanto ambiental e de posicionamento de negócios e carreira. E o que sabemos é que a balança não terá a mesma composição no mundo todo, ela se equilibrará de diversos modos em cada país e dentro deles de modo diferente. Teremos simultaneamente, dentro de grandes centros urbanos, comportamentos da idade média e da 4ª revolução industrial, na verdade já estamos vendo isso acontecer.

Para minimizar o impacto desses comportamentos daqui para frente, faz-se necessário que as pessoas atuem de forma coordenada e conjunta para que a 4ª revolução industrial seja intrinsicamente e obrigatoriamente sustentável, mas, principalmente, que comecem a agir com mais “Empatia”, que nada mais é do que a forma como eu me relaciono com aqueles que não fazem parte das minhas relações sociais diretas, mas, estão conectados comigo no sistema global que vivemos. Com isso, quem sabe os impactos dessa revolução resultem em benefícios a todo o mundo.

Liliane Rocha é Fundadora e presidente da Gestão Kairós consultoria de Sustentabilidade e Diversidade. Autora do livro “Como ser um líder inclusivo”. Palestrante, Professora de Pós Graduação e Executiva com 13 anos de experiência em grandes empresas nacionais e multinacionais e mestranda em Políticas Públicas pela FGV.

 

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