Imigrantes ensinam francês no Vila Flores

Projeto Bonne Chance une continentes e oferece aulas do idioma 

Por Silvio Luiz Belbute

Uma ideia que surgiu a partir de uma postagem entre amigas no facebook está já há quase  um ano promovendo a troca cultural entre imigrantes estrangeiros e brasileiros através do ensino e prática da língua francesa e de outras atividades culturais, nas dependências do Vila Flores, no bairro Floresta. O Bonne Chance (Boa Sorte em português),  iniciou com Ana Emília Cardoso, que percebeu a potencialidade do intercâmbio cultural entre os recém chegados imigrantes e lançou a  ideia para sua amiga Marjorie Hattge, professora de inglês.  Num primeiro momento elas pensavam em apenas criar um grupo de estudos. Após a informação chegar a mais de cinco mil pessoas o projeto ganhou novos contornos.

A iniciativa, sem fins lucrativos e que funciona com o apoio da Associação Cultural Vila Flores tem por finalidade a capacitação de instrutores, pessoas vindas de países como Senegal, Costa do Marfim, Haiti, com ou sem prática no ensino do idioma francês, mas com profundo conhecimento gramatical e prático e com vontade de compartilhar seus talentos. Para Marjorie, que é a responsável pelo treinamento e coordena o projeto, a iniciativa busca qualificá-los  a darem aulas. “A maioria deles tem curso superior e estão no país para estudar”,explica.  No processo de seleção, além da avaliação para lecionar, é pré-requisito estarem cursando português para estrangeiros – PPE. Um dos locais que oferece o curso é a UFRGS. “Hoje eles trabalham como ambulantes e estamos propiciando uma atividade a eles com renda além de prestarem um serviço lecionando idioma em nosso país”, observa. O projeto acontece desde dezembro de 2016 e  já capacitou oito imigrantes e aulas de francês para mais de 200 pessoas. O curso é de 30 horas, com investimento de R$ 700 por semestre. As turmas são de no mínimo oito e no máximo 15 pessoas, para um melhor aproveitamento.

Lecionar e aprender

 O Jornal Floresta conversou com um dos professores, Nathanael Cyril, 38 anos, jornalista, do Congo. Ele está no Brasil há dois anos e veio direto para Porto Alegre por indicação de amigos, da mesma forma indicado para o Bonne Chance, onde está desde julho. Nathanael buscou asilo no país, em função da perseguição a jornalistas em sua terra natal, onde vigora ditadura há mais de 30 anos. Seu processo ainda não está concluído em função do órgão aqui na capital não dispor de  interprete de francês. A promessa é de agendar a entrevista no próximo semestre. Está com visto provisório. O professor estuda jornalismo na UFRGS e aguarda a avalição de seu diploma. Seu desejo é exercer a profissão e um dos objetivos é criar uma web rádio, promovendo a cultura de seu país. Conta que sofreu preconceitos em sua busca por emprego. Ele recebe ajuda financeira da família mensalmente, para pagar o aluguel e alimentação. Para Cyril a oportunidade de lecionar é uma forma de quebrar o preconceito em relação a África. “A mídia retrata a maioria dos países como pobres e sem recursos, mas  a realidade é bem outra”. Ele conta que não viu muitas diferenças quando aqui chegou, sua cidade é bem parecida com Porto Alegre. Está feliz por poder manter esta troca com os alunos. Sente como se fosse uma segunda família.

Um dos alunos, neste semestre, é o estudante na área de TI, Glauber Righes, 29 anos, cujo objetivo é aprender o francês para morar no Canadá, onde pretende trabalhar na área de tecnologia da informação. “Tem sido uma ótima experiência, pois além de aprender a língua, conheço a cultura de outro país”, diz o estudante. Outra aluna é a professora de artes aposentada, Ana Beatriz Müller, 58 anos: “agora tenho tempo para me dedicar ao que gosto. Adoro francês, sua sonoridade e elegância. Como pretendo viajar, me será muito útil, além de prazeroso, pela troca que estamos tendo”, lembrou ela.

SERVIÇO

 BONNE CHANCE

Fone:  51  9929.20966

Face: www.facebook.com/francescomrefugiados

E-mail: bonnechancepoa@gmail.com

Site: www.bonnechance.net.br

Na foto: ao fundo Marjorie e Nathanael e alunos

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