Silvio L. Belbute

O fim do transporte público

Não é de hoje o caos anunciado no transporte público em Porto Alegre. Nos últimos 20 anos não houve mudanças no modelo, estando perto da extinção. Ônibus sucateados, principalmente da Carris (estatal de transporte coletivo), motoristas e cobradores mal preparados para o tratamento com as pessoas. São apenas sintomas. O alto custo das passagens são frutos de benesses excessivas. Isenções e descontos já somam mais de 30% dos usuários. E a conta é paga por todos os outros. Não há almoço grátis. Nos anos 70/80, como militante estudantil e diretor da UMESPA, lutei pela conquista das 100 passagens com desconto para os estudantes. Mas havia um cadastramento, com base na renda familiar, para que o incentivo fosse concedido. Hoje a maioria das linhas são deficitárias. Basta usar o transporte coletivo para perceber: ônibus praticamente vazios na maior parte do dia. E nos horários de pico, super lotados.

As alternativas como Uber, Cabify, 99, entre outros, também contribuem para a queda no uso de ônibus e lotações. Muitas pessoas, colegas de trabalho, já fazem o compartilhamento destas alternativas, com custos bem inferiores ao transporte coletivo. Apenas como exemplo, partindo do Bairro Floresta, da frente da igreja São Pedro com destino a Câmara de Vereadores. Não há um ônibus ou lotação que vá direto, então serão necessárias 4 passagens (2 de ida e 2 de volta): de ônibus, R$ 16,20 por pessoa; de lotação, R$ 24,00 por pessoa. E usando Uber, EasyTaxi, Cabify e até mesmo o aplicativo do Sintaxi, temos em média: R$ 16,00 por viagem, ou, R$ 32,00 de ida e volta. Dividindo este valor por 4 pessoas, resulta em R$ 8,00 por pessoa. Como competir?

O transporte coletivo é um problema de todos nós. É nosso dever, como cidadãos, buscar alternativas para a melhoria de todo sistema. O poder público e lento, moroso e não oferece as soluções ideias no médio prazo. Então devemos agir e propor as mudanças no modelo do sistema. Atualmente o poder público apenas monta planilhas de custos e propõe aumentos e reajustes das passagens. Precisamos ir muito mais fundo em tudo isto.

Silvio Luiz Belbute

Sociólogo e Jornalista (Mtb 18790/RS)

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