Morador de rua recebe ajuda para se livrar das drogas

Por problemas técnicos perdemos parte das matérias e estamos republicando esta história que mostra uma realidade de Porto Alegre com  o problema dos moradores de rua

Uma história que ainda busca o seu final feliz e retrata a vida de muitos seres humanos das ruas de Porto Alegre. Hoje internado em um local de  recuperação de usuários de drogas na região Metropolitana, Edson Luis Christ Wallbring, mais conhecido  por “Alemão” , completou seus 26 anos no dia 10 de agosto e por um bom tempo esteve nas proximidades de um hipermercado na Av. Cristóvão Colombo e  3ª Delegacia de Policia. Com histórico de problemas familiares e psicológicos desde muito novo fez das drogas seu refúgio e   da mendicância uma forma de sobreviver.  Sylvia Coronel, que mora nas proximidades,  conheceu Edson em 2014 no local que ele escolhe para ficar vivendo e, desde então, como ela mesmo define, “ foi empatia à primeira vista. Tentei  o que várias pessoas que simpatizaram com ele também tentaram,  demovê-lo da ideia de continuar levando aquela vida de mendicância e drogadição. Segundo  Silvya que é autônoma e tem também atuação como protetora de animais,  “sequer desconfiava que por trás daquele menino lindo de 23 anos havia uma história de agressão e maus tratos, além de extrema vulnerabilidade social e tendência a entregar-se ao mundo das drogas por problemas, inclusive, clínicos”, explica.

A agressão

No último dia de 2016 Edson foi agredido  por  três pessoas , tendo sofrido lesões pelo corpo.  “Nesse momento cheguei  à conclusão de que tomaria conta dele e que faria de tudo para mudar  aquela vida. Foi aí que começamos uma verdadeira maratona”, lembra ela. Silvya conta que o primeiro passo foi  tentar localizar o pai  em Viamão,  que não via há quatro anos e, com ele, saber da situação com relação a documentos,  que tiveram que ser feitos novamente.  “Trouxemos o seu SUS para Porto Alegre e em fevereiro conseguimos interná-lo em uma unidade de desintoxicação,  posteriormente foi  para uma comunidade terapêutica onde não se adaptou e saiu logo em seguida.  Como ele batia na minha porta todos os dias para que eu alcançasse comida e roupa (ou às vezes somente para conversarmos mesmo como amigos próximos que somos)  consegui monitorá-lo durante os meses de março e abril mas quando chegou maio  ele teve uma recaída muito grande.  A partir dai  eu vi que se ele continuasse na rua fatalmente morreria por excesso de drogas ou de alguma doença  com a chegada do frio.  De acordo com Silvya foi quando pediu ajuda a seu amigo sociólogo Silvio Luis Belbute para que agilizasse os trâmites burocráticos de internação compulsória garantindo vaga e posterior interdição.  “Para tanto contamos com o apoio  e boa vontade da Defensoria Pública onde conseguimos uma liminar para que o internássemos”. Nesse momento o pai entrou com solicitação de interdição.  No dia 12 de maio Edson foi resgatado das ruas e encaminhado para desintoxicação e internação em uma Comunidade Terapêutica onde encontra-se até hoje. “Ele  está saudável, engordou quase 40 quilos, e se mantêm no firme propósito de concluir desta vez o tratamento.  “Nos correspondemos regularmente por carta e a cada uma dele que me chega o vejo mais focado na recuperação. Costumo enfatizar a ele que antes os tratamentos não davam certo por que ele não tinha para onde e nem para quem voltar e agora tem e ele, paulatinamente, está sentindo isto e correspondendo ao tratamento.

Segundo Silvya  nada disso teria acontecido não fosse a boa vontade da equipe do Dr. Luís Carlos Coronel,  Coordenador de Saúde Mental da Secretaria da Saúde e de sua assessora Cristiele Vales  que  atenderam aos  apelos e facilitaram de todas as formas para que o Edson conseguisse a internação”. A princípio conseguimos uma permanência dele lá por  nove meses mas iremos pleitear na justiça mais tempo  devido ao tempo que permaneceu na rua. Os psiquiatras afirmam que o ideal seria um tratamento de dois anos”, lembra. Para Silvya a causa é muito importante, porque  não se trata de ajudar um mendigo por quem se tem simpatia e sim resgatar uma vida. “O retorno disso é vê-lo a cada dia mais confiante e certo de que isto acontecerá com ele”, concluiu.

Brechó e brique para a “Causa Edson”

No dia 24 de setembro foi realizado  evento na Associação Cristóvão Colombo com o objetivo de arrecadar recursos para a manutenção dele. “ O objetivo do brechó  foi repor parte
dos gastos que tivemos de  manutenção e internações  desde janeiro  e também fazermos uma caixinha,  pois todo mês  preciso levar o necessário para mantê-lo por 30 dias, como: material de higiene pessoal  além do que é permitido para uso coletivo como erva mate,  mel e material de limpeza, entre outras coisas. Soma-se a isto também o transporte, já que está internado fora de Porto Alegre, e preciso agilizar uma forma para que não pese tanto no meu  orçamento e ele possa receber tudo o que precisa”, observa Silvya.

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