Sobre o tema da redação do ENEM 2017: “Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil”

A educação de surdos no Brasil faz parte dos sérios problemas que a sociedade enfrenta. Infelizmente, muitos percorrem todo período de escolarização sofrendo bullying e sem aprender o mínimo do proposto pelo currículo básico brasileiro. Para o professor Rafael Dias Silva, que se dedica ao projeto Libras na Ciência, ensinando deficientes auditivos por meio da língua de sinais, as reações negativas sobre a prova de redação do ENEM, realizada no ultimo domingo, refletem o momento atual de nossa sociedade, que não garante acessibilidade e inclusão. O professor discorda que os alunos do Ensino Médio tenham dificuldades na elaboração de um texto argumentativo com este tema, pois a grande maioria dos alunos que prestam o ENEM são alunos de escola pública e já conhecem realidade dos alunos de inclusão.Infelizmente, muitas escolas não possuem tradutores intérpretes e, por consequência, os professores não conseguem fazer um trabalho didático-pedagógico ainda mais dedicado com os alunos surdos.

Para Silva, esses jovens ainda estão invisíveis no processo educacional brasileiro. Com a necessidade de cobrar o poder público para que muitas leis saiam do papel, o tema do ENEM se legitima a comemoração da comunidade surda, que há mais de 30 anos ela vem luta para conquistar o direto à educação. Segundo o IBGE, o Brasil conta com uma população de mais 10 milhões de deficientes auditivos.  Em uma aplicação experimental da prova para alunos surdos, as questões do teste são disponibilizadas em LIBRAS, fruto de uma parceria com a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Sobre o professor Rafael Dias Silva:

Graduado em Ciências da Natureza pela Universidade Cidade de São Paulo (USP), formou-se em Libras, pela Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos FENEIS, conta com o título de Pesquisador e Especialista em Educação de Surdos, leciona na USP dentro do programa Habitat de Inovação Tecnológica e Social – HABITS e atualmente é mestrando em Educação voltado para a formação de professores na área de educação inclusiva. Toda essa formação permite que o professor Rafael Silva dedique-se a um grande projeto: a Libras na Ciência, que ensina deficientes auditivos por meio da língua de sinais. Desde agosto desse ano,  mantém uma turma de 18 alunos em um curso pré-vestibular realizado, todos os sábados, na Escola Estadual Dom Maria Ogno, na Vila Matilde, zona leste de São Paulo. A iniciativa é inédita, promovida por meio da parceria com a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo, via Diretoria de Ensino Leste 1, Habits-USP LESTE e outros parceiros, reúne estudantes bastante dedicados e entusiasmados com a oportunidade de prestar o ENEM pela primeira vez.

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