AMABI: entre as melhores associações da capital

Responsável pelo movimento que decretou a rua Gonçalo de Carvalho (foto)  como patrimônio histórico e ambiental, segue, desde 2006, no coração dos porto alegrenses

 A Associação dos Moradores e Amigos do Bairro Independência (AMABI) surgiu em 2005, a partir da iniciativa de moradores da rua Gonçalo de Carvalho. Esse grupo lutou contra a construção de uma sede da OSPA e de um prédio garagem de sete andares, que seria feito em um espaço cedido pelo Shopping Total e com saída pela via. A preocupação na época era a maior circulação de carros, poluição que afetaria fauna e flora, considerando o túnel verde formado no local,  e o aumento na criminalidade, consequências imediatas desta ação. Essas eram as maiores preocupações, para a via da capital que hoje é considerada a “Rua Mais Bonita do Mundo”.  Na época o grupo de professores do Motolla, cursinho sediado na rua e fundado em 1994 pelo professor Paulo Motolla, ofereceu espaço para as primeiras reuniões, que seriam o berço da AMABI. Liderados por aquele que foi seu primeiro presidente Haeni Ficht, os encontros ganharam cada vez mais adeptos da causa e a mobilização teve êxito após longo período de discussão evitando que as construções fossem realizadas.  Através da movimentação de seus  primeiros membros a AMABI estabeleceu neste período  um diálogo com o então prefeito José Fogaça, e a rua Gonçalo de Carvalho tornou-se a primeira no Estado a receber o título de patrimônio histórico, paisagístico, cultural e ecológico.

A partir daí, desde o ano 2006, a rua é protegida contra qualquer intervenção – seja ela imobiliária, estética, hidráulica ou estrutural – que ameace as características originais do local. Além do túnel verde que orgulha os moradores, até as lajotas das calçadas e os paralelepípedos da via estão protegidos pelo decreto. É proibido asfalto, em qualquer ponto. Após esta mobilização a associação passou a trabalhar aspectos gerais de todo o bairro, desde segurança pública, situação de moradores de rua, lixo e casas noturnas chegando até movimentos como a revitalização da praça Dom Sebastião e a realização do Natal na praça. A integração com instituições de ensino, saúde e comércio são considerados fundamentais neste processo de aproximação com a comunidade.

AS CONQUISTAS E REALIZAÇÕES

A arquiteta e moradora do bairro Independência e atual presidente da AMABI, Jacqueline Baldissera enfatiza que as associações são de extrema importância para os bairros. “É uma representatividade necessária, pois mexe com o dia a dia das pessoas que trabalham e moram em cada região especifica”, lembra ela.  Segundo Jaqueline a entidade  tem várias conquistas e a reforma da praça Dom Sebastião, além da parceria  com a Brigada Militar, são bons exemplos. A presidente destaca os seis anos de realização do Natal na Praça, com o apoio de parceiros importantes como o Colégio Rosário, Santa Casa, Museu da Medicina e a prefeitura. São situações marcantes que foram feitas e isto rendeu o reconhecimento da sociedade, não porque quiséssemos isto, mas pela importância de se realizar ações coletivas que, no final beneficiam a todos”, enfatiza.

Presidente de 2010 a 2017 (4 mandatos de gestão) Dionio Roque  Kotz, profissional de educação física,  é morador e possui academia no bairro  e relembra que durante o tempo que esteve à frente da AMABI, os focos principais eram nas áreas de segurança, coleta do lixo e na mobilização dos moradores da região.  Kotz recorda que, durantes as primeiras gestões, a associação tinha a visão mais voltada para a rua Gonçalo de Carvalho. Porém, quando assumiu, ele e a equipe ampliaram para todo o bairro Independência as ações e projetos. Desde então, mais moradores se mobilizaram e o quadro de sócios cresceu. Para o líder comunitário, é através da associação que se busca as soluções para os problemas do bairro: “Ninguém melhor do que os moradores para se saber as necessidades locais”, observa. Para ele deve haver uma relação próxima com o poder público para efetivar os trabalhos. “Dentro dessa linha sempre pautamos nossa gestão com parcerias, tanto com as secretarias do município, quanto com as entidades do bairro”.  Kotz relembra também a  parceria com o Jornal Floresta, na divulgação das ações e atividades promovidas e na prestação de serviço à comunidade. Para o presidente essa relação é fundamental. “Ela é um casamento, praticamente. É uma necessidade. Os grandes jornais têm dificuldade de vincular questões muito locais e o jornal de bairro atende plenamente isso. E o Floresta, de um tempo pra cá, já é o principal jornal dentro do bairro”. Dentro das ações e projetos de maior empenho, Dionio cita a releitura dos limites e dimensões do território do bairro Independência, uma vez que, até hoje, ainda não é unânime o entendimento acerca da dimensão territorial da região.

“EXEMPLO A SER SEGUIDO”

O deputado Sebastião Melo (MDB) que quando atuou na prefeitura participou e diversas reuniões da AMABI, considera o associativismo um “belíssimo caminho para uma cidade melhor”. Segundo ele, as associações de moradores são o melhor trajeto para o desenvolvimento regional dos bairros, uma vez que o “poder público não consegue dar conta de tudo”. Para o deputado, a AMABI é um exemplo a ser seguido pelas outras associações de moradores: “Ela busca soluções verdadeiras, muitas vezes pegando pesado com a prefeitura e com a câmara dos vereadores.” Melo ainda destaca que, quanto mais associações sérias e organizadas existirem, melhor será a qualidade de vida na Capital: “Seria bom se houvesse mais associações. Temos 93 bairros, tirando os sub bairros. Mas se você tivesse em cada bairro, pelo menos uma associação ativa, a cidade melhoria e muito”.

Para o morador Wilson Kaercher, que participa dos eventos e reuniões, a associação trouxe melhorias  em diversos aspectos. Os eventos culturais e as festividades na praça Dom Sebastião ajudam a promover o bairro, segundo ele. Porém, Kaercher destaca que lamentavelmente não existe mais colaboração entre os residentes da região.  “É  complicado encontrar uma razão para que o pessoal não participe tanto. Talvez trabalhar melhor a divulgação da associação. Acho que promover mais esses trabalhos vai ajudar a congregar o grupo”. Para Jacqueline, o envolvimento da comunidade é um desafio constante: “Sempre é difícil, como qualquer ato voluntário. As pessoas se envolvem com os problemas relativos a elas e quando resolvido se afastam” . Para atrair novos membros e incentivar a participação popular nas atividades e ações da AMABI, a nova meta da presidente Jacqueline é trazer pessoas mais jovens, para revitalizar a entidade e buscar novas ideias: “Estamos programando um evento mensal, um sábado por mês, na praça Dom Sebastião, para o pessoal se apropriar do local  e ela não cair no descaso novamente. Criar um encontro que seja  referência na região.  Esta é uma forma de criar atrativos e ter uma presença maior das pessoas no que conseguirmos fazer no bairro e pela  associação”, conclui.

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