Amizade que une continentes

Uma porto-alegrense que mostrou aos imigrantes africanos que o Brasil é um país solidário

A situação dos imigrantes africanos em Porto Alegre não é das melhores. Os milhares que deixaram seus países algumas vezes tentam em sub empregos buscarem seu sustento nas ruas da capital e sobrevivem mesmo sendo muitas vezes discriminados e rejeitados por parte da população local. Até mesmo maltratados eles resistem a indiferença e tentam aqui melhores condições de trabalho e de moradia que em seus países de origem.

Ao contrario de uma maioria em determinadas situações fala mais alto a solidariedade e o amor pelo próximo. Foi o caso da Sra Elcy Copetti Poli, que mora na Av. Cristóvão Colombo, bem próximo a rua Dr. Timóteo, no bairro Floresta. No alto de seus 80 anos e morando há 52 anos na região ela desde os primeiros imigrantes que conviveu nos últimos anos sempre procurou um gesto de carinho quando os encontrava pelas esquinas ao venderem seus produtos eletrônicos ou outros. “Eles vieram em busca de uma vida melhor aqui e não tem porque não sermos pelo menos solidários e não maltratá-los”, lembra ela. Ela conta que um dia levou um lanche para uma moça, de nome Alima, e sentou-se ao seu lado para conversar, fazendo amizade. “Tiramos uma foto e perdi o contato com ela. “Outro dia um compatriota dela me identificou na saída de um supermercado pela foto e me passou o recado que ela queria comunicar que estava bem, morando na Austrália e agradecer sua mãe brasileira. Dona Elcy conta que em outra situação observava um rapaz que cruzava sua porta com desenhos em cadernos embaixo dos braços, todos os dias, e passava rapidamente pelo seu prédio. “Resolvi abordar e saber o que seriam aqueles desenhos que pareciam relacionar-se a moda. Minha surpresa foi que Ndiasse Diagne, um senegalês que hoje está come 43 anos, e há pouco mas de três anos morando em Porto Alegre, era um profissional da área em seu país e buscava aqui aperfeiçoar-se fazendo cursos em uma escola no bairro Higienópolis”, conta ela.

Determinação

Diagne que gentilmente concedeu entrevista ao Jornal Floresta, em uma praça próxima onde sempre costuma passar rumo aos seus cursos, conta que trabalha a noite em pizzaria da região e busca no segmento da moda seu aperfeiçoamento. “Faço cursos nos períodos que tenho livre, já me formei em cinco deles, como corte e costura, couro, e outros. Continuo me aperfeiçoando para quem sabe, no futuro poder ter um atelier de moda aqui”, sonha ele. Morando no bairro São Geraldo com amigos que também vieram do Senegal ele lembra que Dona Elcy é a mãe brasileira. “Ela foi sempre muito gentil comigo e não posso reclamar do tratamento que recebi no Brasil, sempre foi com educação”. Tendo seu forte no desenho de peças e criação de roupas Diagne dá também aulas de bordado em máquinas na escola onde começou a estudar. “Hoje tenho uma atividade na pizzaria que garante meu sustento e minha permanência por aqui, mas quero pode trabalhar no que mais gosto que é a moda e a criação de roupas. Estou me qualificando e tive sorte de contar com pessoas generosas e que acreditaram no meu potencial. Para Ndiasse encontrar sempre a amiga brasileira é uma alegria. “Espero poder compartilhar com ela minhas conquistas”, observou. “Ele é muito esforçado, perguntei a primeira vez onde ia tão apressado e ele respondeu que seguia a pé, do São Geraldo até a rua Dom Pedro II, para fazer seus cursos e assim economizar para poder investir mais em seu aprimoramento. Este é um exemplo de determinação para muitos brasileiros, e merece nosso respeito e admiração”, conclui ela, orgulhosa de seus filhos estrangeiros adotados nas esquinas do bairro Floresta.

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