“Chapéu Acústico” é atração musical em Porto Alegre

Iniciativa acontece todas as terças-feiras na Biblioteca Pública, no Centro Histórico.

Uma  ideia que deu certo.  Há um ano os finais de  tarde  das terças-feiras na Biblioteca Pública do Estado (BPE), na rua Riachuelo, região central da Capital, estão mais musicais  em meio aos milhares de livros. O projeto “Chapéu Acústico”  promove no Salão Mourisco da BPE atividades musicais, em parceria com artistas profissionais, sem depender de orçamento do estado ou de patrocínio da iniciativa privada. Os artistas realizam os shows sem a cobrança de ingressos, “passando o chapéu” como forma de arrecadação do cachê. A realização da biblioteca, com produção artística de Marcos Monteiro,  ocorre sempre a partir das 19h, e tem como convidados músicos instrumentistas de formação jazzística, cantores e cantoras.  O salão tem capacidade para 60 pessoas sentadas, mas o público sempre lota o espaço levando em média  mais de 150 pessoas em cada apresentação. A Biblioteca Pública do Estado do RS,  localizada na Rua Riachuelo 1190 – Centro Histórico de Porto Alegre, é uma das seis bibliotecas estaduais em Porto Alegre. Segundo a diretora da BPE, Morganah Marcon, o cadastro de leitores conta com mais de oito mil inscritos que utilizam o sistema de empréstimos da instituição. Uma das prioridades é a digitalização de documentos e obras raras, com objetivo de preservá-las. “Como o prédio ainda não conta com climatização adequada, estas obras sofrem a ação do tempo’, explica Morganah. A diretora  fala da importância e urgência de um anexo para abrigar o acervo. “O atual espaço está praticamente saturado”,, diz ela.

História

Criada pela Lei n° 724 de 14 de abril de 1871, em 1915, já autônoma, a Biblioteca foi transferida para a sede atual na Riachuelo, esquina General Câmara (antigamente conhecidas como rua do Cotovelo e Rua do Ouvidor). Construído por sugestão de Victor Silva, o prédio da biblioteca foi projetado por engenheiros das Obras Públicas do Estado (Afffonso Hebert e Teófilo Borges de Barros). Tanto na sua fachada como em seu interior, apresenta influência da doutrina positivista, utilizando vários estilos em sua representação. A fachada apresenta o estilo neoclássico, contornada com bustos do calendário positivista vindos da França, tais como Júlio César, Gutemberg, Descartes. Nas outras salas e salões, como o Salão Egípcio, Sala Borges de Medeiros e Salão Mourisco, diversificam-se os estilos, entre eles o rococó, egípcio, gótico e florentino. Sua inauguração ocorreu nas comemorações do Centenário da Independência em 07 de setembro de 1922.

A Biblioteca Pública do Estado do RS conta com acervo de mais de 250 mil volumes. A coleção de obras  é composta por raridades dos séculos XVI a XIX, como: Pharsalia, de Lucanus (1519) e edições  de La Divina Comedia, de Dante Alighieri (editada em 1921) por Conrado Ricci em edição restrita a mil exemplares e de Os Lusíadas, de Camões, na edição comemorativa de 1819 que tem alto valor por sua reduzida edição de doze exemplares em pergaminho, entre outras obras.

Restauração e modernização

A partir de 2009 a biblioteca passa pela maior obra de restauro de sua história. Após muitos anos de má conservação, o que causou diversos danos ao prédio e seus bens móveis, a BPE iniciou uma grande reforma através do benefício da lei Rouanet, patrocinada pelo BNDES. Nesta etapa foi possível sanar praticamente todos os problemas estruturais (fachada, telhado, pisos e entrepisos, problemas de umidade, infiltrações), restaurar as aberturas e pisos de parquet, vitrais, iniciar o restauro da pintura mural do salão egípcio.  O projeto aprovado pela lei de incentivo, foi finalizado em dezembro de 2012. Em 2015, com o patrocínio direto do SINDUSCON-RS, teve sua rede elétrica renovada. Através de sua Associação de Amigos, foi instalada rede  wi-fi na biblioteca e reformados os sanitários.

 

 

 

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