Ganha força luta para salvar hospital

Representante do governo federal propôs  consultoria para avaliar a situação do hospital.

A luta para evitar o fechamento do hospital Beneficência Portuguesa, localizado no bairro Independência, ganhou nova perspectiva no ultimo dia 18. Durante uma visita a Porto Alegre, o secretário nacional de Atenção à Saúde, Francisco Assis Figueiredo, subordinado ao Ministério da Saúde, prometeu a realização de consultoria para ter um diagnóstico completo do hospital. Além disso, o presidente do Simers, Paulo de Argollo Mendes, revelou que existem tratativas em curso para que outro hospital de Porto Alegre assuma pelo menos uma parte da estrutura do Beneficência. O objetivo, disse ele, é evitar a interrupção completa ou a deterioração da instituição. Embora ainda não tenha divulgado o nome da instituição parceira, Argollo garantiu que as tratativas já estão avançadas. “Não falei pessoalmente com o secretário de Saúde de Porto Alegre, mas tenho certeza que teremos toda a ajuda”, adiantou. Segundo Figueiredo o Ministério da Saúde estará oferecendo a consultoria de um hospital de excelência para fazer um diagnóstico completo da situação. “Assim, junto do secretário municipal de Saúde, poderemos definir o que há de melhor para essa instituição”, pontuou. De acordo com ele, a consultoria deve ter início em janeiro e pode ser realizada por hospitais como:  Albert Einstein, Sírio-Libanês ou o Moinhos de Vento, dependendo da disponibilidade de equipes.

Prefeitura rescindiu contrato

A crise financeira do Hospital Beneficência Portuguesa, referência em atendimentos neurológicos, agravou-se nos últimos dias com a decisão, pela prefeitura de Porto Alegre, de rescindir seu contrato com a instituição. Dispostos a buscar uma solução, 15 médicos da Universidade Federal da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) foram à Brasília para apresentar ao Ministério da Saúde a proposta de transformar a Beneficência em hospital-escola. A prefeitura de Porto Alegre entende que o Beneficência não vinha cumprindo o número de atendimentos previsto no contrato – por isso, optou por rescindi-lo. Sem os repasses do município, porém, a instituição não tem honrado o pagamento de salários aos funcionários, que estão há pelo menos quatro meses sem receber. Ao mesmo tempo, o número de pacientes diminui cada vez mais. No passado, o hospital chegou a ter 180 leitos ativos.

 Frente parlamentar

 Na busca por evitar o fechamento de uma das mais antigas instituições de saúde de Porto Alegre, a Frente Parlamentar de Defesa do Hospital Beneficência Portuguesa foi instalada na  quinta-feira (14). Proposta pelo deputado estadual Pedro Ruas (Psol), a iniciativa busca soluções para a grave crise financeira enfrentada pelo hospital. Para Ruas, que inclusive nasceu no Beneficência, é fundamental que a sociedade gaúcha se mobilize nessa luta. “Não é que tenhamos uma solução pronta, mas certamente vamos buscar alternativas. Estamos falando de leitos preciosos”, ressaltou em sua fala de abertura na solenidade. Já o diretor do Simers Germano Bonow destacou que o empenho em manter o hospital aberto é coletivo. Ele também fez um resgate histórico. “Essas pessoas que estamos vendo nos quadros pendurados nas paredes são do século XIX. Elas pouco sabiam sobre as possibilidades da medicina, mas construíram o Beneficência. Será que nós, com tanta tecnologia e conhecimento, vamos deixar ele fechar?”, questionou.

 Reativar e ampliar

Antes de diminuir gradualmente os atendimentos em função das dificuldades financeiras, o Beneficência Portuguesa contava com 187 leitos. No entanto, o professor de medicina da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) Paulo Roberto Fontes relatou ter visitado todas as instalações e afirma que existe capacidade para 400 leitos. “Ou seja, a luta pode ser ainda maior. Não apenas para reativar, mas também para ampliar”, concluiu. Fontes fez  parte do grupo de médicos que foram até Brasília com a proposta de transformar a instituição em um hospital-escola.

 

Foto: Divulgação/Simers

 NA FOTO – Também estiveram presentes na reunião o diretor do Simers Germano Bonow, o deputado federal Jerônimo Goergen (PP-RS), o professor de medicina da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA) Paulo Roberto Fontes e representantes da instituição.

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