Paço Santo Inácio liberado pela prefeitura

Novo empreendimento da UMA Incorporadora no bairro Moinhos de Vento terá casa tombada preservada

A Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico (SMDE) aprovou, por meio do Escritório de Licenciamento, o projeto arquitetônico do empreendimento junto ao casarão da rua Santo Inácio, localizado no bairro Moinhos de Vento. O Conselho do Patrimônio Histórico Cultural (Compahc) e a Equipe do Patrimônio Histórico e Cultural (Epahc) da Secretaria Municipal da Cultura (SMC) foram responsáveis pelas diretrizes do projeto de restauração da mansão. O Paço Santo Inácio, atual nome do empreendimento, será aberto ao público e abrigará um café bistrô, salas de reuniões, uma sala de exposições e um memorial destinado a trazer ao público fatos e relatos sobre o bairro Moinhos de Vento e a história da casa. O empreendimento contemporâneo está sendo construído junto a uma das mais belas casas do bairro, que foi projetada pelo arquiteto espanhol Fernando Corona, no início do século passado. Através de um criterioso projeto de preservação e restauração, a casa ganhará uma nova vida: todo o projeto de decoração foi pensado para que não se percam as características de uma mansão de família. A finalização da edificação está prevista para 2020, composta por unidades com aproximadamente 86m² de área privativa.

De acordo com a equipe do Escritório de Licenciamento, o Estudo de Viabilidade Urbanística (EVU) teve como grande desafio a flexibilização do potencial construtivo do novo empreendimento, uma vez que o Plano Diretor isenta a cobrança de áreas adensáveis para edificações inventariadas (áreas aptas para construir). No âmbito de sua competência, a SMDE incentiva a preservação do patrimônio histórico e cultural das edificações inventariadas e tombadas. Segundo a diretora do Epahc, Ronice Giacomet Borges, a revitalização do local terá o resgate de toda a história do patrimônio histórico do casarão e também do bairro Moinhos de Vento. “Verificamos que a edificação consegue, através do seu restauro, passar para comunidade, a fusão do novo empreendimento preservando a estrutura da antiga casa, que será totalmente aberto à sociedade, com memorial da casa e um bistrô, na qual as pessoas poderão utilizá-los. E, ainda, o espaço terá um memorial do bairro Moinhos de Vento, resgatando elementos de toda a estrutura urbana que foi formada para o crescimento do bairro na época” destacou Ronice.

Para um dos diretores da UMA, Antonio Mary Ulrich, a casa Santo Inácio tem um valor inestimável, e a história que ela carrega, faz parte de Porto Alegre. “Anteriormente as pessoas passavam pelo local e despertava uma enorme curiosidade, e agora a casa será aberta para visitação. Antes de começar a obra entregamos aos vizinhos da rua uma carta escrita a próprio punho do antigo morador e selada dando satisfação sobre a restauração e sobre o novo empreendimento junto ao casarão. Com isso, a revitalização será uma entrega para a comunidade”, declara Antonio Ulrich. Já o outro diretor, Newton Ulrich, aborda que o processo de negociação durou em torno de dez anos. “Sendo vizinhos, de lá observávamos diariamente a casa, e por termos um vínculo muito forte com o bairro, pensávamos que sua história não poderia se perder no tempo. A Família Bica queria vender a casa, preservando a memória da residência. Porém, nós acreditávamos que ela deveria ser mais do que uma mansão familiar, mas também um espaço de convívio público, estando inserida em um projeto que lhe desse sustentabilidade. Foi a partir disso que surgiu a ideia do empreendimento Paço Santo Inácio, permitindo a viabilidade econômica da preservação, restauração e revitalização do casarão ”, revela radiante Newton Ulrich.

A História da Casa 295

A construção começou no ano de 1929, por iniciativa do empreendedor Brasil Cesar que sonhava com uma casa no estilo neoclássico francês, porém o projeto não foi concluído.  Após alguns anos o estanceiro Alfredo Faria da família “Bica” adquiriu o imóvel, e contratou novamente o arquiteto espanhol Fernando Corona que havia iniciado a concepção da residência.  Dessa vez para a finalização da obra, com materiais de construção da mais alta qualidade importados da Europa.  A conclusão da mansão se deu em meados de 1937, passando por cinco gerações da família Bica.

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